Quando se fala em planejamento sucessório, muita gente logo pensa no famoso testamento. É simples, direto e parece resolver todos os problemas, certo? Nem tanto. Embora seja uma ferramenta útil em algumas situações, confiar exclusivamente no testamento pode acabar gerando desafios significativos para a família e o patrimônio. É nesse ponto que entra a holding familiar, uma alternativa estratégica e cada vez mais procurada.
Será que o testamento resolve tudo mesmo? Vamos explorar os prós e contras, e entender por que a holding familiar pode ser uma solução mais eficiente.
Antes de mais nada, é bom esclarecer: holding familiar não é algo complicado ou restrito a milionários. Basicamente, trata-se de uma empresa criada para gerenciar o patrimônio de uma família, como imóveis, investimentos ou até negócios operacionais. Por meio dela, os bens ficam sob a "guarda" da holding, e as decisões sobre o uso e a sucessão desses bens seguem regras bem definidas no contrato social.
Em termos simples, a holding funciona como uma caixa-forte, mas com uma chave compartilhada, permitindo que a família proteja, organize e administre o patrimônio de maneira eficaz.
É verdade que o testamento dá ao testador a possibilidade de organizar sua vontade sobre o patrimônio. Porém, há limitações importantes:
Com essas limitações, fica claro que o testamento, isoladamente, pode não garantir o resultado desejado.
A criação de uma holding familiar permite resolver diversos problemas que um testamento, sozinho, não consegue endereçar. Confira as vantagens:
Grandes famílias empresariais, como a fundadora do Grupo Votorantim, têm utilizado holdings para perpetuar seus negócios. Mesmo famílias com patrimônios menores podem se beneficiar desse modelo.
Em um estudo conduzido pela FGV, famílias que utilizam holdings familiares reportaram uma redução de 25% nos custos de sucessão e um aumento na harmonia nas decisões relacionadas ao patrimônio.
Outro exemplo interessante é o caso de uma família que possuía vários imóveis alugados. Ao transferir os bens para a holding, a administração ficou mais simples, o planejamento tributário gerou economia, e os herdeiros puderam começar a usufruir de quotas de forma ordenada.
Apesar dos benefícios, é essencial que a holding seja criada com planejamento e acompanhamento especializado. Aqui estão alguns cuidados a considerar:
Na verdade, uma coisa não exclui a outra. O testamento continua sendo útil para bens que não estão na holding ou para deixar instruções específicas. Já a holding, por sua vez, organiza a maior parte do patrimônio e evita boa parte da burocracia e dos custos envolvidos na sucessão.
Deixar tudo em um testamento pode parecer prático, mas, na prática, acaba gerando desafios que podem ser evitados com uma holding familiar. Esse modelo garante proteção, economia e harmonia no processo sucessório. Afinal, quem quer ver a família brigando por causa de bens, não é mesmo?